
Hoje passei duas horas do meu dia dentro de um ônibus, porque fui ao centro da cidade com uma amiga. Na hora de voltar, decidi ouvir música e quando fui sentar escolhi um banco de costas para o motorista, uma ótima escolha. Porque não era eu que deixava o caminho para trás, era ele que me deixava. Eu estava parada, ele corria solto. E vi tantas coisas. Uma senhorinha simpática, um homem preocupado, uma nuvem em formato de coelho e um casal de mãos dadas. Quantos outros milhares de pessoas no mundo estariam de mãos dadas naquele momento? E vendo TV? E preparando o almoço? Indo viajar? Acabando de acordar? No escritório? No telefone? No Messenger? Enfim...
Eu continuava parada, minha amiga não. Chegamos a um bairro-mercado aqui da zona sul de SP. Lá, está todo mundo no mesmo espaço: calçadas pequenas viram a casa dos camelôs, que por sua vez disputam com os pedestres-clientes. Pelo menos três vendedores me ofereceram calçados, cheguei a pensar que os meus estavam velhos, mas me enganei. Eles é que queriam meu dinheiro! Deu a hora de voltar para casa, seria mais 30 minutos dentro de ônibus, desta vez eu deixava o caminho para trás. Agora as pessoas já estariam jantando, voltando do trabalho, e, finalmente, chegando em casa.
Por: Bia Mendes

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