sábado, 20 de junho de 2009

A gente tem que se virar...

Vida de pobre é difícil. Qual paulistano sem recurso nunca pegou um coletivo lotado, suado, apressado e todos os 'ados' de ruim?
Hoje foi assim. Saí apressada do cursinho, comendo umas bolachas que levei e tomando suco de caju. Corri pro ponto, quase sendo atropelada, e dei sinal. O canalha do motorista nem sequer parou, olhei pro lado, havia um senhor no ponto também. Ai surgiram as típicas conversas de ponto...
-Nossa, tá um friozinho né?
-Sim, desde manhãzinha.
-Aquele tava lotado demais né?
-Também, melhor ele não ter parado mesmo, era capaz da gente ir na porta. Daqui a pouco passa outro.
Achei graça, disfarcei e guardei as bolachas na bolsa. Bilhete único na mão, dei sinal, subi no bus.
O pior nunca é ficar em pé, é aquela bendita, minha mochila que eu carinhosamente chamo de Compartimento de Carga.
Olhei direito, o ônibus tava lotado demais e minhas costas começavam a ceder. Aquelas pessoas sentadas, com as pernas jogadas de qualquer jeito. Senti inveja.
Pensei, pensei, tinha de dar um jeito. Resolvi me apertar lá pro corredor, onde tinha muita gente.
Um passo "desculpa", outro"foi sem querer senhora, já passo". Parei onde tinha mais gente. Minha mochila continha apenas dois cadernos e quatro apostilas, minha camiseta reserva, o estojo e o Dan Brown que tô lendo nas horas vagas. Minhas costas já haviam arrebentado.
No meio daquele bando de gente, como quem não quer nada, tirei a coitada da mochila nas costas. (Música de missão impossivel de fundo) Calculei melimetricamente minha próxima manobra, passei a mochila a frente do corpo, conseguindo atingir um bom número de pessoas. Na cabeça de um, perna do outro "ops, desculpa", será que o plano daria certo?
Um minuto depois, um nordestino nobre olhou bem fundo nos meus olhos, minhas costas doendo e eu quase metendo a mochila na cara do coitado. Senti a emoção aumentar, quando o homem abriu a boca e eu ouvi sua voz:
-Quer que eu leve?



Por: Bia Mendes

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