sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mar num é mar

Tum-tum-tum. Bate, bate.


TUM-TUM. Insiste, insiste, mas não to.


TÁ-TÁ! Abro a porta, entra rápido.


Pffff, de tanto bater se cansou, senta.


-Quer uma água?


-Vim bem rápido, volto outro dia.


-Quer uma água?


-Vim passando, quis entrar. Posso ver?


-Quer uma água?


-Gostei disso, gostei daqui.


-Quer uma água?


-Não sei bem o que vou fazer...


-Quer uma água?


-Acho que vou ficar um pouco.


-Quer uma água?


-Acho que vou dormir aqui.


-Quer uma água?


-Quero morar contigo, posso?


-Quer uma água?


-Na verdade não sei bem se quero.


-Quer uma água?


-Querer eu quero, mas já é tarde.


-Sim, é tarde.


Mar num é mar amar a vida, mesma e contrária. Mas eu não tenho nada.


É só água que posso dar.


E nesse caso, é melhor ir embora.



Por Bia Mendes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário