Tum-tum-tum. Bate, bate.
TUM-TUM. Insiste, insiste, mas não to.
TÁ-TÁ! Abro a porta, entra rápido.
Pffff, de tanto bater se cansou, senta.
-Quer uma água?
-Vim bem rápido, volto outro dia.
-Quer uma água?
-Vim passando, quis entrar. Posso ver?
-Quer uma água?
-Gostei disso, gostei daqui.
-Quer uma água?
-Não sei bem o que vou fazer...
-Quer uma água?
-Acho que vou ficar um pouco.
-Quer uma água?
-Acho que vou dormir aqui.
-Quer uma água?
-Quero morar contigo, posso?
-Quer uma água?
-Na verdade não sei bem se quero.
-Quer uma água?
-Querer eu quero, mas já é tarde.
-Sim, é tarde.
Mar num é mar amar a vida, mesma e contrária. Mas eu não tenho nada.
É só água que posso dar.
E nesse caso, é melhor ir embora.
Por Bia Mendes.

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