quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sossego, solzinho e olhares curiosos

Manhã de muita paz na visita ao praticantes de tai chi pai lin. Ao chegar, os olhares pra câmera fotográfica não escondiam a pergunta explícita: Quem é ela, o que deve ser?
Cheguei de mansinho e fui me apresentando, aos poucos, praquele pequeno grupo de idosos que já estavam lá. Lá = UBS Figueira Grande, posto de saúde na rua de baixo de casa. Uma olhada rápida: ufa! Zenalva, uma enfermeira que eu já conheço, estava lá, e assim seria mais fácil ganhar espaço entre a 'moçarada' que eu pretendia fotografar.


Todos os dias da semana, na rua de baixo da minha casa, um grupo de até 50 idosos se reúne às 8 AM para se alongar e praticar o Tai chi pai lin e o Lian Gong. O que no começo era só uma atividade para melhorar a qualidade de vida deles se tornou num verdadeiro encontro entre amigos. Hoje em dia organizam até excursões e jogos em grupo para se reunir fora dos horários de aula. Todos se conhecem e ajudam uns aos outros, riem, brincam e se divertem enquanto a aula não começa e a enfermeira mede a pressão de cada um deles, conferindo como estão.

Conversa com a Zenalva, bate papo com alguns deles, logo senti que estavam mais a vontade. A parte mais difícil em fotografar idosos é que eles são vergonhosos, acham às vezes que não servem pra isto ou que tem algo 'por trás' dessa fotografia rs. Acho que todo mundo entende, pois quando pensamos no avô/avó, lembramos daquela pessoa super atenta e protetora, desconfiada e esperta, que conhece muito da vida, e já viu mais coisas do que a gente pode imaginar.

Havia somente um senhor no meio da multidão de velhinhas que estavam hoje. E este era o animador da galera: tom alto e firme de voz, pele negra com poucas rugas, um chapéu branco e várias piadinhas na manga. Era ouvir a voz dele, que em seguida jorravam risos. Fui então papear com ele, e pasmei: 84 anos de pura saúde, 8 filhas (a mais nova com 51 anos), morador do meu bairro há 60 anos (na época aqui era puro mato), e viúvo, após ter ficado 51 anos com sua esposa. Ele pulava e andava pra cima e pra baixo.

Papos e fotos rolando. Após os retratos e atividade deles, fui convidada pra participar da oração que finaliza a aula. Todos de mãos dadas, em círculo, passando energia uns aos outros. Pedimos em oração à todos, especialmente às pessoas do grupo que estão afastadas dos exercícios. Fiquei contente em receber uma benção especial, e o voto deles para que eu continue bem. É emocionante a vibração que eles têm, de positividade, alegria, prazer em viver. Tanta saúde e experiência acumulada fazem a gente parar pra repensar no estilo de vida e valores que conservamos nas nossas próprias vidas.

Nada mais gostoso que ficar perto de pessoas idosas, com muita história pra contar, disposição e amor nos olhos. Aquele galerinha com faixa de 80 anos tem muito mais flexibilidade e espiritualidade que o povo novo por ai.

Ansiedade total pra revelar minhas fotos! E gostinho de quero mais.

Por: Bia Mendes

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